Várias vezes eu escrevi prá vc, várias vezes eu precisei colocar em palavras a saudade e o não saber que os nossos intensos encontros seguidos imediatamente de silenciosos desencontros provocavam.
Mas nunca foi tão forte como hoje.
Desde sempre o orgasmo provocou em mim certo tipo de servidão, acho que porque a comunhão física e a aceitação plena do corpo do outro me fazem sentir que sou da pessoa.
É por isso que eu sinto como se eu tivesse levado uma grande porrada da existência e a porrada se reflete de duas formas, a primeira é física mesmo, minha buceta tá doendo, meu maxilar tá doendo, a outra é a dos meus outros sentidos, principalmente dos meus ouvidos... vc falando que não quer, que a sua energia vai ser direcionada para outros projetos que não me incluem.
O mais louco é que eu percebo que vc está certo, que comigo não daria mesmo prá ser sem botar muita energia, sem estar inteiro, já que, mesmo sem certezas, vc sempre veio prá mim de uma forma tão intensa, ou seja, cheia de energia, sempre entregue.
Hoje eu fumei uma carteira de cigarros (em contraponto ao infarto do outro la) e agora aqui sozinha sem cigarro, vejo que vc também foi virando um vício (será que amor vicia? Acho forte dizer isso, mas não achei outra palavra), passei seis meses viciada em pensar sobre como fazer para resistir aos seus reaparecimentos e principalmente aos desaparecimentos.
Vc afirmou que eu não daria conta de ser sua mulher... Eu te digo, eu dou conta de vc, dos seus filhos, do que trabalha viajando, do que não me encosta na cama ou do que trepa muitas vezes, mas eu não dou conta de em menos de 24 horas ter a meu lado dois homens tão diferentes (um que ama tão intensamente e outro que friamente rejeita), não, eu não dou conta de tanta inconstância. Só te quero ao meu lado me amando muito. Não dou conta de migalhas de amor.
Essa certeza me acalma e me renova.
Vc é antes de tudo um bom amigo e um homem lindo (nem precisava ser tanto).
Sobre sermos amigos, acho que esse é um caminho sem volta, nos gostamos, respeitamos e fomos sinceros com o que sentíamos. Sentimos algumas vezes a mesma coisa no mesmo momento e muitas vezes estivemos longe como a distância geográfica que a sua vida profissional impõe a quem que com vc convive.
Escrever é bom, né? Eu uso terapeuticamente como uma forma de organizar meus pensamentos e às vezes parece que o teclado anda sozinho e cria construções que eu mesma não usaria ou ousaria escrever.
Falando em ousadia, desculpa a insistência de hoje.
O tempo vai nos dizer se a sua assertividade com relação a nós era apenas desamor ou se estamos vivendo as nossas Pontes de Madison... Tomara que não.
Se a gente não se vir amanhã, boa viagem. Espero que tudo dê certo, sempre.
Querendo me escreva...
Bjocas
Monka
segunda-feira, 22 de março de 2010
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