terça-feira, 30 de março de 2010

O corvo - Edgar Alan Poe - Traduçaõ Machado de Assis

Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora.
E que ninguém chamará mais.

E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto, e: "Com efeito,
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais."

Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: "Imploro de vós, — ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo, prestemente,
Certificar-me que aí estais."
Disse; a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro coa alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
"Seguramente, há na janela
Alguma cousa que sussurra. Abramos,
Eia, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso,
Obra do vento e nada mais."

Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo, — o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "O tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

domingo, 28 de março de 2010

Meu anjo, desde que a gente se propôs (ou que a existência propôs e a gente aceitou)estar junto nesse momento das nossas vidas eu tenho, diariamente, me cumprimentado e dito: Mônica, muito prazer.
Cada dia ao seu lado tem feito nascer, desvelar, faces, fases, de uma pessoinha que estava guardada dentro de mim e que eu sabia que existia (sim, sabia), mas que não tinha a chave da saída de dentro do meu cérebro prá vida e, claro, no caminho, com uma passagem, parada , massagem, pelo meu coração que aconchegou e acariciou as nuances dessa nova pessoa que está chegando...
Vc acolhe, ensina, aquece, ilumina, faz rir. Faz com que eu tenha certezas e faz também que eu perceba que não preciso delas, que basta confiar que vai acontecer o melhor, mesmo que eu brigue na hora, ainda assim, vc, sereno, propõe uma aceitação ativa, um novo olhar...um jeito assertivo de aceitar sem se entregar, apenas surfar no que a vida oferece e, meio bambu, curvar-se diante do susto mas voltando a erguer-se assim que a tempestade se for.
Sinto amorosamente tbém um frisson pela sua juventude, é lindo ser espectadora de alguém que tem uma vida toda pela frente, é lindo te ver crescer todo dia, ver vc procurar caminhos suados, meio marginais por fugirem do drinkbacksex, apreciar vc sorrindo e ouvir som do seu sorriso prá lua, pras flores, pro chapati, pro Osho, prá mim....
Quero te ver sempre bem e quando, porventura, não estiver assim, venha, deita no colo, pede o carinho, eu tô aqui.


M.

terça-feira, 23 de março de 2010

Anticristo - Lars Von Trier - 24-03-2010

Assiti ontem e estou tocada até agora....a culpa misturada à esquizofrenia e regidas por um terapeuta que se julga Deus...grandes cenas, fortes, nojentas, sexuais demais...Isso não é um conselho, talvez nem um toque...mas não tem como não ficar indiferente...como o filme homônimo, entrar no universo do Anticristo é irreversível.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Vídeo de arte

Esse vídeo é maravilhoso

http://www.youtube.com/watch?v=erbd9cZpxps

Aconchego no caos

Desco descalca despida e insone
Não há busca nem encontro
Perco-me no caos que existe a minha volta
Mas ele não me assusta
Ele apenas é
E nele aconchego-me mansamente
Várias vezes eu escrevi prá vc, várias vezes eu precisei colocar em palavras a saudade e o não saber que os nossos intensos encontros seguidos imediatamente de silenciosos desencontros provocavam.
Mas nunca foi tão forte como hoje.
Desde sempre o orgasmo provocou em mim certo tipo de servidão, acho que porque a comunhão física e a aceitação plena do corpo do outro me fazem sentir que sou da pessoa.
É por isso que eu sinto como se eu tivesse levado uma grande porrada da existência e a porrada se reflete de duas formas, a primeira é física mesmo, minha buceta tá doendo, meu maxilar tá doendo, a outra é a dos meus outros sentidos, principalmente dos meus ouvidos... vc falando que não quer, que a sua energia vai ser direcionada para outros projetos que não me incluem.
O mais louco é que eu percebo que vc está certo, que comigo não daria mesmo prá ser sem botar muita energia, sem estar inteiro, já que, mesmo sem certezas, vc sempre veio prá mim de uma forma tão intensa, ou seja, cheia de energia, sempre entregue.
Hoje eu fumei uma carteira de cigarros (em contraponto ao infarto do outro la) e agora aqui sozinha sem cigarro, vejo que vc também foi virando um vício (será que amor vicia? Acho forte dizer isso, mas não achei outra palavra), passei seis meses viciada em pensar sobre como fazer para resistir aos seus reaparecimentos e principalmente aos desaparecimentos.
Vc afirmou que eu não daria conta de ser sua mulher... Eu te digo, eu dou conta de vc, dos seus filhos, do que trabalha viajando, do que não me encosta na cama ou do que trepa muitas vezes, mas eu não dou conta de em menos de 24 horas ter a meu lado dois homens tão diferentes (um que ama tão intensamente e outro que friamente rejeita), não, eu não dou conta de tanta inconstância. Só te quero ao meu lado me amando muito. Não dou conta de migalhas de amor.
Essa certeza me acalma e me renova.
Vc é antes de tudo um bom amigo e um homem lindo (nem precisava ser tanto).
Sobre sermos amigos, acho que esse é um caminho sem volta, nos gostamos, respeitamos e fomos sinceros com o que sentíamos. Sentimos algumas vezes a mesma coisa no mesmo momento e muitas vezes estivemos longe como a distância geográfica que a sua vida profissional impõe a quem que com vc convive.
Escrever é bom, né? Eu uso terapeuticamente como uma forma de organizar meus pensamentos e às vezes parece que o teclado anda sozinho e cria construções que eu mesma não usaria ou ousaria escrever.
Falando em ousadia, desculpa a insistência de hoje.
O tempo vai nos dizer se a sua assertividade com relação a nós era apenas desamor ou se estamos vivendo as nossas Pontes de Madison... Tomara que não.
Se a gente não se vir amanhã, boa viagem. Espero que tudo dê certo, sempre.
Querendo me escreva...
Bjocas
Monka

Trocando em miúdos - Vai embora....

MAr - 20-201

Tô me sentindo uma idiota. Indo ao encontro de planos que não são meus, tentando entender o que eu não entendo, chegando ao cúmulo de me obrigar a gostar do que não gosto, do que não me diz nada, prá parecer mais inteligente, moderninha, mais nova...isto é tão violento...
Eu sou muito cheia de desamor comigo e tentando ser o que eu não sou fica ainda mais gritante como eu não me admiro, como eu não me gosto, como eu queria ser diferente...você me cansa...quero muito que a gente consiga ficar separado...
Eu sou só isso mesmo...só dou conta disso, desse jeito sem jeito de perceber as coisas, a minha coerência é militaresca mesmo, não tenho nem alma nem vocação prá artista.
Não dá...eu juro que eu tentei...fui feliz ao seu lado às vezes, só não sei quem foi essa que eu fui quando estava com vc...
Quero alguém que me aceite, que me motive também, mas que não espere muito até prá poder se surpreender de vez em quando. Vc pode me dizer, escrever, gritar que vc não me cobra, que essa é a minha forma de ver, mas se essa é a minha forma de ver, é verdade prá mim...
Vai embora , vai prá sua cabeça cheia de idéias, vai pro seu destino que está sendo parido a cada dia, vai abrir o seu coração e a sua arte prá quem queira vê-los...
Acabou.

Mônica

True

Às vezes eu não sei e, muitas vezes, tenho certeza de que a minha vida vai bater sempre de frente com o significado do meu nome: Mônica quer dizer sozinha...,
Para não ser sozinha te exigem, eu exigo, tudo exige, muitas, muitas mesmo, concessões, eu tenho que ter e ser leve...nossa que peso...tenho que abrir mão da Mônica mais genuína, com certeza não a melhor, mas a mais rasgante, talvez a única verdadeira, talvez a mais absurdamente, enlouquecidamente real, a Mônica que eu sou... sim, preciso me tratar, pois me identifico completamente com aquela mulher que te manda calar-se diante do que, com ou sem qualquer razão, manda, ordena, implora que vc se cale diante do que ela se recusa ou quer tapar os ouvidos para ouvir...tento, realmente tento me desculpar, mas não consigo, não é verdade, eu não sinto que vc mereça qualquer pedido de desculpas. Com vc eu me propus a só falar a verdade, eu realmente acredito que eu posso, que eu tenho o direito de dizer: cala, parou por aqui, não quero, nesse momento ouvir mais nada disso, vc me cansou, encheu meu saco...e ainda assim continuáramos juntos e ainda, por mais absurdo que pareça acredito piamente que vc mesmo estando puto, deve respeitar isso e calar-se.

Tratado do querer

Tratado do querer

O mais importante é fazer o que se quer,
O que se quer, o que se deseja deve ser a força motriz/impulsionadora do viver
O querer, os quereres devem estar à frente, a diante das ações
O meu querer deve ser mais forte que o querer do outro, sempre que o meu querer não coincidir com o querer do outro
Mesmo que o meu querer não pareça a melhor opção para o mundo, mesmo que faça sangrar o coração de alguns, ainda assim, o meu querer e só o meu querer deve prevalecer
Eu não desejo e não vou fazer nada que não seja o meu querer, pois conhecendo o meu querer estarei, finalmente, me aproximando do meu ser.


Saindo da poesia prá prosa, fiz esse tratado porque preciso acreditar nisso, preciso parar prá encontrar o meu querer, preciso parar de me transferir para os outros mundos, preciso achar o meu mundo, achar a Mônica e os quereres dela.

E o que eu efetivamente quero? Lembro-me do Vicky, Cristina, Barcelona quando a moça bonita diz que pode não saber o que ela quer, mas que sabe exatamente o que não quer.... eu tbem sou assim, sei perfeitamente o que eu não quero, quem ou o que não me apetece, mas isso não me basta mais, tá mais do que na hora de eu saber o que eu quero.

E eu sei que as minhas respostas estão em mim, estão no caminho tortuoso que liga o meu coração ao meu cérebro e que eu preciso olhar prá dentro e deixar nascer essa pessoa inteira.

As novas literaturas dizem que não existe isso de metade da laranja, mesmo que o banquete do Platão insista no mito de Andrógino, “o ser perfeito que era macho e fêmea ao mesmo tempo e que, em virtude de sua ambição desmedida, foi dividido pelos deuses e que por isso todos andamos hoje à procura da metade que nos complete, de modo a voltar a fundir a nossa alma em um único ser”, ainda assim, insisto que a minha androginia, o meu ser homem e o meu ser mulher estão ambos dentro de mim... e que mesmo que a busca seja cansativa e talvez insensata não devo desistir dela.

Mudando de assunto, até pq o outro é inesgotável, talvez pq a gente viva numa cidade com apenas duas estações, sinto falta do outono e busco a primavera nas flores do ipê... tanto amarelas quanto roxas..o ipê é a minha primavera nessa Brasiléia desvairada e, como vc sugere, acho que naquele curto espaço de tempo, aqui a primavera se banha de flores.


Mônica – sábado pisciano de carnaval de 2009– 18:01

Veinte poemas de amor y una canción desesperada- Poema 1

Veinte poemas de amor y una canción desesperada
Pablo Neruda

Poema 1
Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos,
te pareces al mundo en tu actitud de entrega.
Mi cuerpo de labriego salvaje te socava
y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.
Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros
y en mí la noche entraba su invasión poderosa.
Para sobrevivirme te forjé como un arma,
como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda.
Pero cae la hora de la venganza, y te amo.
Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme.
Ah los vasos del pecho! Ah los ojos de ausencia!
Ah las rosas del pubis! Ah tu voz lenta y triste!
Cuerpo de mujer mía, persistirá en tu gracia.
Mi sed, mi ansia sin limite, mi camino indeciso!
Oscuros cauces donde la sed eterna sigue,
y la fatiga sigue, y el dolor infinito.

Bem-vindo 2009

Sempre gostei de ano ímpar, até pra nascer escolhi um deles... 2008 foi um ano de muita cabeçada pra mim. Pessoas amadas por muitos e muitos anos e que estavam ensaiando abrir vôo da minha vida, realmente foram; amores que pareciam possíveis revelaram-se completamente inatingíveis; o trabalho consolidou-se numa zona de conforto que mais me deprime do que me acalma e eu no meio de tudo isso ou de nada disso... Sabe aquele carro atolado na praia, onde vc (e até isso aconteceu de verdade) fica lá acelerando e quanto mais vc pisa mais areia vai saindo do pneu...e que de legal só tem aquele momento de abstração onde vc de dentro do carro, completamente sem perspectiva, olha a areia voando e acha bonito, por um segundo de bobeira (que pode se transformar alguns segundos dependendo do seu estado etílico ou louquílico) vc acelera mais e fica de expectadora do seu carro atolado...2008 foi mais ou menos assim, as coisas aconteciam e eu tava lá meio que catatônica.... Ainda bem que a minha catatonia é ativa e eu me recolhi no meu ninho e me toquei que a chave pra me tirar desse marasmo tinha saído literalmente de dentro de mim e eu voltei toda a minha atenção pras minhas menininhas... Que não são mais tão ninhas assim, mas ainda gostam da mãezinha ali, pertinho, tomando a liberdade de viver um pouco da efervescente vida de adolescentes delas... e aí, o ano foi passando de forma bem interessante, eu fui percebendo melhor as diferenças delas, era um ano final pras duas na escola (a Mari no 9.ano e a Clara no terceiro), ou seja, muito, muito estudo e as duas corresponderam e pimba, Mari passa direto e Clara na Unb...tipo assim, dever cumprido.... 2009 já tinha começado e tava chegando a hora de recomeçar a olhar pra mim... sei lá, como se tivesse girado a roda, tudo em janeiro e até agora foi se transformando, e to me sentido de novo com o leme na mão...O niver foi lindo, gente que eu amo demais fez questão de estar ao meu lado, presencial ou virtualmente, nas várias festas que rolaram. Estou com a sensação de que fiz alguns amigos para sempre no catatônico 2008 e estes estiveram comigo nesses 3, 4 5 ou 6 de fevereiro, onde rolaram as comemorações, scraps e e-mails de felicitações. Bom, galera, tamu junto: FELIZ ANO NOVO pra mim e pra todo mundo. Fev/09

Desapego

out/2009

Prá se relacionar com menos dor a gente tem que aprender a hora de ir fundo e a hora de deixar ir...as duas são sutis, sensíveis, uma não começa na hora que a outra tá indo embora e a outra pode ser percebida ainda na fruição da primeira. Difícil saber. Difícil prá mim escolher a hora de me recolher ou a hora de extravasar. Mas o mais difícil ainda é dar sem cobrar, pegar a expectativa e guardar no fundo do armário e fazer o que fizer sem esperar retorno...fui legal porque tava a fim, porque dava conta...sem esperar que o mundo perceba isso e te trate bem... Tô triste...

FSM - 2005

Fórum Social Mundial – Fórum social da diversidade, da integração, do calor, da palma. da vaia e da festa.

Porto Alegre – Rio Grande 40 graus – O calor, da temperatura, das discussões, humano, permeava tudo e todos.

Cheguei na noite de quinta, 27, ou seja,

28/01 - Só tive contato com o território do fórum na sexta-feira...gente, muita gente, muita gente linda, colorida, jovem, de espírito jovem, aguerrida e de cara a primeira palestra escolhida Boaventura, Gadotti na busca de um novo mundo...
Já conhecia o discurso, mas ele é tão pertinente que vale a pena rever, rever, até absorver...
“Por que a luta dos silvícolas, do MST e dos quilombolas não é conjunta se todos querem terras? Por que a luta das mulheres feministas não é a luta das prostitutas, se todas se sentem oprimidas...”.
Há uma articulação para que não nos unamos e temos que estar atentos e, mais que atentos, temos que agir contra a separação das lutas ““.
Gadotti posicionou-se sobre a necessidade de colocarmos em prática o que é votado no fórum, de levarmos para a nossa vida cotidiana e interagirmos (contaminarmos mesmo) o povo que ainda não está engajado para urgência da luta.

Isso ocorreu no espaço “A” e depois eu queria ver uma discussão sobre a integração da América latina no espaço “G”, pensei, vou à pe, amores eram 11: 00 e sob um calor de 40. Andei por 1H15min...Era longe, muito longe...
Mas, os gaúchos são ótimos e eu que gosto muito de gente e estava sentindo-me presenteada pela vida por ali estar...Estava ainda muito feliz...

Vamos à palestra, estavam: um cônsul da Venezuela, um representante de uma central sindical da Argentina, o Aldo Rabelo, o Gil e o presidente da UNE. ...

O Aldo Rabelo falou que o Brasil tem sido um algoz com a América Latina, que nós que detemos cerca de 80% da riqueza da AL não a dividimos com nuestros hermanos latinos. Falou que o governo Lula propõe-se a ser o porta-voz do mercosul no sentido de nos unirmos, que nós não temos pontes que nos ligam a vários países da AL,f alou na importância de estarmos atentos contra a ALCA...Bom discurso venceu as vaias do Pcdo B e do PT do B (PSOL).

O Venezuelano falou que estava muito emocionado por estar sendo ouvido pelo Brasil, que conta com a nossa integração, que eles e a Colômbia resolverão da melhor forma o problema que eles estão enfrentando (do guerrilheiro da FARC) e que conta com uma América latina unida.

O Gil disse que não sabia o que estava fazendo ali já que a integração da AL não era tema que ele dominasse, (pode?), começou cantando uma música para um brasileiro revolucionário (pernambucano) que atuou na Venezuela, citado no discurso do Aldo e depois, como ele realmente é muito culto, a palestra foi bem agradável...

Obs. O Gil foi o único ministro do Governo Lula (inclusive o próprio) que não foi vaiado aqui.

No mesmo caminho foi o cara da CUT da Argentina e batendo forte entrou, sob vaias, o garoto da UNE, falou na cara do GIL que o dinheiro oficial da cultura não deveria patrocinar espetáculos imperialistas como o Cassino, estreado pela Danielle Winnits... E por aí vai...
O Gil não respondeu nada e levantou-se...

A Galera da UNE e UJS estava animada...” Eu entendo a juventude, transviada...” juventude....

Fui almoçar por volta das 15:30 e conheci dois rapazes completamente antagônicos, um ex-soldado Israelense e outro guerrilheiro da Palestina, ambos paulistas, que se conheceram na infância e tiveram destinos tão diferentes, reencontrando-se no fórum...Fiquei amiga dos dois, mas claro, ideologicamente falando, com o Palestino que também é petista, foi mais fácil...

Em 2000 palestras, é incrível como o Boaventura cruzou o meu caminho, escolhi uma palestra a ermo e lá estava ele de novo... ouvi um pouco e fui...

Para uma palestra muito interessante sobre desarmamento onde uma moça estadunidense que mora no Rio falou sobre a sua pesquisa sobre as armas e a sua responsabilidade nas mortes de inocentes...
As armas que matam são aquelas que temos em casa e que achamos que estão nos protegendo e não as AR15, a proporção de armas pequenas e fatais para inocentes é muito maior que as de grandes fuzis e metralhadoras...
Outro dado chocante, 30% das armas dos bandidos apreendidas pela polícia do Rio são legais... O bandido que invadiu a sua casa roubou a arma, ou seja, além de não se defender nós ainda armamos os bandidos.

Já eram umas 19:00h, fui pra casa. Os lindos que me abrigaram queriam sair, afinal era sexta, e fomos conhecer a noite de Porto Alegre, bem legal, tanta gente linda...

Dia 29 – mesmo tendo chegado tarde da balada, acordei cedo, para realizar sonhos é necessário estar desperto e fui ao encontro do Saramago e do Galeano...Os dois de uma vez juntos...

Quixote Hoje, utopia e política...,

Mas, esta fica pra manhã que o meu avião já vai sair.

Beijo

Mônica

A bienal do esgoto e as cores do Soleil

Out/2006

Minha cabeça está dando um nó, Na quarta-feira à noite eu vi e me lambuzei com as cores fortes, com as cores intensamente vibrantes do Cirque de Soleil. Lá eu vi o azul mais azul de todos e o vermelho mais vibrante que o por do sol de Brasília em agosto e junto com as cores, vi as acrobacias sem fim e sem teto, sem cerca e sem impossibilidade, o cirque de soleil nos apresenta saltimbancos cheios de possibilidades, de conquistas, de precisão e técnica. Nós todos podemos tudo junto com os mágicos artistas do circo.
Mas, hoje pela manhã, para não esvaziar a minha alma, acordei, meio sem ter dormido ainda e fui à Bienal...
A Bienal de 2006 é oposto do cirque de Soleil, a bienal nos mostra um mundo de impossibilidades, a bienal nos esfrega na cara a realidade do ultimo ser vivo e este está enjaulado entre arames farpados (tem muito arame farpado nessa bienal), as cores da bienal são o esgoto negro e fétido a céu aberto do Congo que é exatamente igual ao esgoto que suja grande parte dos lugares, a bienal é cinza, a bienal mostra a puta, o travesti, o soldado violento, a fome, quase o fim. A bienal não é doce, o único doce da bienal é um mundo de açúcar,mas que não pode ser lambido, o que se lambe nessa bienal é a violência.
Hélio Oiticica apresenta o seu parangolé ao tempo que lambe demoradamente um revólver e, como se não bastasse, no andar de cima um gato delicia-se comendo um rato, passo a passo..., a minha cabeça deu um nó...
E ando mais um pouco e dou de cara com umas sem fotos de crianças yanomamis numeradas, rostos índios e em sua maioria desaparecidos ou desaparecendo por causa de mais uma estrada... a estrada que nos leva agora aos vídeos de transeuntes invisíveis aos olhos das ruas..
Se há leveza na bienal? Sim, pouca, mas há. O barco que nos faz navegar no mar da Bahia ou o skatista que voa no requebrado da sambista.
Na vida e na bienal, tem hora que tá tudo literalmente de cabeça para baixo, há uma casa onde mesa está colada no teto e a cama na parede...
E a arte latino americana, africana e do oriente médio também estão lá, argentinos, nigerianos, uruguaios nos oferecendo um sem número de cores e formas pra que a gente desperte e resgate a capacidade de se indignar.
Isso, acho que achei a palavra, essa é a bienal da indignação, da não esperança, a bienal que nos oferece uma chance de, por meio da arte, nos repensar e repensar esse mundo que nos envolve, que nos absorve e que, nesse momento, não nos absolve.

Paris

Dia 04 MAR/2010

Tomamos o bom café da manhã no hotel e fomos ao louvre. Pegamos o metrô direto e entramos pelo subsolo. À entrada do metrô, aquela sensação de voltar a um lugar inesquecível, aquele corredor principal do Louvre, com direito a alguns dos mais lindos Leonardos e aquela expectativa da mamãe de ver a Monalisa.
Começamos pelos franceses, muito painel ligado à igreja e depois o show dos italianos...o louvre é realmente enfeitado pelas mais belas obras de arte da antiguidade, isso sem falar nas belíssimas esculturas e aquela parte toda de obras da antiguidade. Descobrimos até um cemitério chamado Monique na Pérsia a long time ago.
No louvre, nós nos desencontramos da Eliane.
Eu e a Mamãe fomos andando até a Champs Elisee, tentamos ir até o arco do triunfo, mas resolvemos pegar o metrô e ir à Notre Dame. A catedral mais uma vez me emocionou muito e eu comprei um terço pa ra o meu pai. Acendi duas velinhas, uma para todas as mulheres que amo e outra para todos os homens que amo, pedindo a benção para todos eles. Eu e a mamãe tomamos um café lá no quartier latin e fomos andando até a nossa estação, na bastilha. Um ótimo passeio, não estava muito frio e o vento batendo no rosto estava bem gostoso. Caminhamos quase uma hora.
Exaustas, fomos dormir.

Dia 05 MAR

Como a Eliane tinha passado o dia anterior sozinha e eu estava faminta pelos outros museus, resolvemos mais uma vez nos separar e a Elliane a mamãe foram para montmartre conhecer a Catedral Sacre Couer e aquele charmoso bairro.
Eu foi para as exposições temporárias que acontecem na cidade luz em março. Comecei pelo pintor inglês J. M. Turner que é considerado um grande re-leitor de obras bem famosas de pintores anteriores a ele., tais como Rembrand, Titien e Possin. Bem interessante ver alguém ser valoriza do porque literalmente faz releitura dos obraas anteriores, para eu que sou leiga em visuais, mais uma surpresa...então, nada se cria tudo se copia. A exposição foi no Grand Palais, um local belíssimo com aquela grandiosidade dos palácios franceses.
Ao lado do grand palai fica o petit palai, que tem um acervo de arte decorativa e visual aberto ao público, há várias obras do Cezane, Couber, Monet, Delecorix. Vale a pena deixar-se levar por aquele passeio. Na sala das esculturas você poderá ver várias pessoas desenhando...belo, belo.
Após estas exposições, foi para a mais badalada do momento: Edvard Munch, ou L'anti-cri. Uma exposição espetacular com toda a obra o Munch fora o conhecido quadro "O Grito". Vai ficar dentre as minhas exposições preferidas de todos os tempos. Como diz o cartaz, Munch é muito mais que o grito. Há gravuras, litografias e belíssimos quadros já mostrando o aspecto soturno da obra do Munch, bem como u ma sensualidade forte nas várias obras cuja temática é a mulher.
Esta exposição está na Pinacoteca, que fica na praça de Madeleine, um bairro que eu não conheci da outra vez e que tem uma igreja linda.
Ah, voltando para o mundo feminino e mulher que é mulher ama sapato, vi a loja da Jimmy Choo e me senti a própria uma das meninas da sexy and city. Dei uma olhadinha nos preços e a média é 1500,00 euros as sandalinhas básicas, ufa...
Depois, com a cabeça fervilhando de arte, passeei um pouco pelas tuleries e fui ao cinema. Vi ghost writer, o filme novo do Polanski, bacana. Já chegou por aí?

au revoir

Sonho

Mon, 8 Oct 2007 07:17:47 -0300
Assunto:

Acabei de ter um sonho lindo com vc.
Eu chegava na sua casa para um café da manhã, eu estava ainda de camisola preta com um robe bege (nada curto ou transparente, e também não há preocupação com isso, parece que eu tinha que chegar lá daquele jeito àquela hora), vc ia fazer algo importante e vc e eu sabíamos que eu iria lá.
Qdo eu chego ela está tomando café numa grande mesa retangular e eu te ouço falar com seus pais: ela já ta aí e a Mônica acabou de chegar.
Eu me sento em frente a ela e ela diz que está surpresa de me ver lá, mas eu não estou surpresa, estou calma e tranqüila.
Vc sai do quarto com a sua mãe, ela passa por trás de mim, a gente não se conhece e ninguém apresenta, eu a olho bastante, ela não me olha, eu sei que é ela, eu continuo tranqüila. Vc vem até mim e me beija nos lábios e fala algo como -tô quase pronto”. Mas, vc volta para o quarto e troca a camisa, vc veste uma camisa azul e Ela levanta-se e se reúne com as outras pessoas que estão na sala em frente à mesa, várias pessoas sentadas em sofás e assistindo a televisão, eu continuo na mesa, agora sozinha.
Quando vc se senta eu te abraço, passo a mão no seu peito dentro da camisa e beijo a sua camisa na altura do ombro e vc diz: sabia que vc
ia fazer isso... a minha boca estava suja de chocolate e suja a camisa um pouquinho, e eu tento limpar, fica quase limpa e, tudo bem de novo.
De vez em quando como se eu estivesse em cadeira com rodinhas a gente se afasta e vc me puxa de volta, sempre, nós estamos muito felizes, tranqüilos, carinhosos, o mundo está bem perto de nós, mas não está junto, e nem tão longe, ele parece não nos afetar.
A gente conversa baixinho, ri muito...
Eu me levanto e falo que preciso ir tomar um banho, te desejo boa sorte e ....
São 06:30 a Clara me acorda.
Um beijo
Mônica

Encontro com a andarilha

28-06-2009

Ontem, por volta das 11h estávamos no Grão Mestre (408 sul) tomando café da manhã, quando ela surgiu. Ela é uma andarilha de Brasília a quem eu e Mariana (minha filha mais nova) costumamos chamar de nossa amiga. Uma mulher de cerca de 50 anos, com os cabelos crespos brancos, magra, elegante e que se veste como se estivesse desfilando, sempre está de saias ou vestidos longos ou semilongos, sobreposições de tecidos com cores que combinam criando um estilo que me leva a imaginá-la freqüentando a corte candanga sem dificuldades, ao contrário, sua elegância e porte singularizam-na diante da massa burguezoide igualzinha que freqüenta a capital federal... O rosto é sério, queimado de sol e com rugas aparentas, olhos pequenos, mas vibrantes, corajosos.Há algum tempo ela me instiga e queria muito conhecê-la melhor.
Ontem o destino conspirou e ela veio até mim.
Assim que percebi que ela me olhava, sorri com os olhos para que ela se sentisse a vontade para se aproximar e, tentando ser fidedigna, relato abaixo o nosso diálogo:
J- é... ela fala, esperando a aprovação do meu olhar
J-um café..eu quero um café.
M- tá bom, eu vou te dar um dinheiro e vc compra o café.
J-não, eu posso ir lá e pedir o café?
M- pode, a gente põe aqui na conta.
J- mesmo? Vou ver quanto é. (sutilezas da personalidade dela, preocupar-se em perguntar o preço antes de pedir o café mesmo eu já tendo autorizado que ela pedisse).
Joana vai ao balcão do café e volta com o valor do expresso
J- são dois reais, tudo bem?
M-tudo.
J- qual é o seu nome?
M- Mônica
J- e o seu, rapaz?
A- Allan
J- Eu sou Joana Barbosa de Souza (apresenta-se falando o nome completo)
M- Certo, senta aqui com a gente Joana?
J- pode ser? (ela parece se surpreender com o convite, mas aceita de bom grado).
M- pode.
Joana coloca na cadeira em frente ao Allan, as coisas que carregava em suas mãos, são várias sacolas com manuscritos, cadernos, bíblias. Ela dirige-se ao balcão do café e volta com uma fumegante xícara do expresso.
M- Joana, vc é bahiana?
J- Eu to em Brasília agora, eu sou brasileira (mais uma sutileza, ela não quis dizer a naturalidade). E olhando prá mim, diz:
J- Mônica, não é?
M- é
J- Eu to compondo um livro
Ao meu olhar atento repete:
J- é, escrevendo, compondo um livro
M- sobre o que?
J- sobre o crime organizado. O que vc acham disso?
M- eu acho que o crime organizado pode estar na cadeia, mas está também no meio da gente, no congresso, por exemplo,
J- e vc?
A- Acho que esse assunto dá muito pano prá manga e que o crime ta perto da gente.
Joana olha prá mim e diz:
- Vc é uma figura bonita.
M- Vc também é bonita, eu te vejo há muito tempo, respondo e complemento:
M- eu também to compondo um livro?
J- é?
M- é um livro de cartas
J- cartas sobre o que?
A garçonete traz o nosso café.
M- Joana, divide comigo esse sanduíche?
J- Não obrigada, eu já comi. (não parecia ter comido, mas não aceitou. Mais tarde volto a oferecer e ela novamente recusa). Retomando a conversa sobre o livro:
M- sobre o universo, as angústias do feminino. Eu sempre escrevo cartas e agora estou trocando cartas com uma amiga que será agrupada e transformada em um livro.
J- O universo feminino é interessante, o lado sexual...
M- o lado sexual é bacana, mas o nosso livro fala mais das vivências, dos comportamentos da mulher, da mãe, não explora o lado sexual, não.
J- escrever é sempre importante, principalmente porque tem que fazer pesquisa. Vc trabalha em que?
V- com publicidade... crime organizado (eu e o Allan rimos do comentário que fiz).
J- vc faz propaganda também, design? (ela parece realmente se interessar pelo assunto).
M- eu trabalho na CAIXA e presto consultoria de comunicação para algumas áreas, aí sim a gente faz propaganda, pesquisa, trabalha com relacionamento com cliente.
Joana muda completamente o rumo da prosa e diz:
J- eu quero muito um jornal
M- jornal, a gente não comprou jornal hoje.
J- um jornal para divulgar o livro
M- Ah, prá divulgar o livro...(pensei que ela queria um jornal prá embrulhar algo).
J- eu tenho um caderno aqui e escrevi o projeto do livro
M- posso ver?
J- pode, claro.
È um caderno desses de várias matérias com muita coisa escrita. Joana escreve em letra de forma, sem erros de gramática. A letra é legível e bonita. Folheando o caderno vejo muitas folhas escritas sobre diferentes assuntos (ecologia, medicações) e uma página apenas com o roteiro do livro sobre o crime organizado. O livro tem três partes e ela a partir de agora vai falar das duas primeiras.
J- principalmente a segunda parte, porque a primeira parte é fácil conseguir ajuda da imprensa, a imprensa é forte, tem poder
M- é o quarto poder
J- pois é a imprensa tem interesse em publicar meu livro. Eu preciso de uma medalha de ouro
M- medalha de ouro, física?
J- sim, uma insígnia, uma medalha, para a condecoração. Eu quero fazer uma condecoração de um policial federal e prá isso eu preciso de um advogado. Preciso de uma ajuda, já tentei muito, advogado, procurador, eu to quase desistindo do sonho
M- às vezes a gente sonha de uma forma dura e a vida fica dura com a gente também
J- mas se eu não for fundo no que eu quero o sonho não se realiza. Vc não acha?
A- mas às vezes o sonho volta, ele vai e depois volta...
J- é. Eu preciso de uma ajuda para conseguir pesquisar. Outro dia eu fui numa biblioteca e só prá pesquisar eles me cobraram um comprovante de residência?
M- só prá pesquisar?
J- só prá pesquisar.
M- isso sim daria uma matéria no correio, vc não pode ser proibida de pesquisar pq não tem comprovante de residência.
A- não, não pode.
J- as coisas estão difíceis, fiador, uma vez eu tava tentando alugar um apartamento e eles me exigiram o fiador
M- fiador faz parte do contrato imobiliário
J-mas tem o contrato de caução ( ela sabe o termo jurídico para o contrato que prescinde de fiador), nessa época eu podia pagar seis meses adiantados, era uma kitnete, um aluguel razoavelmente barato, uns 400, 400 e poucos reais, mas eles não quiseram, eles querem é que eu fique assim tendo que pedir um cafezinho...
Daí, ela meio amargurada despediu-se e foi embora... mais tarde, por volta das 18 horas vi Joana atravessando o eixinho de cima na altura da 109 por ali...
2009/4/30
Amor, vc não é a metade da minha alma, nem de mim, como finaliza o texto abaixo...com vc sinto que a minha completude alcança um eco coeso, forte, complexo e que a liberdade vem com isso e apesar disso...cada dia sinto mais intensamente a sua presença em mim, sinto-me admirada de como fluo naturalmente prá vc...
Mesmo assim, discordando do fim, concordo com o texto, o amor acontece da simpatia (afinal "Simpatia é quase amor") que vai se transformando. Comigo foi assim, fui achando interessantes as ideias (sem acento) ousadas do menino tímido, fui, curiosa, ouvir o que vc pensava sobre as coisas, aos poucos fui percebendo que, mais que curiosa, eu estava ávida, ansiosa mesmo, por ouvir e ver, precisava ser ao vivo, pois o brilho verde do olho e o cabelo balançando os cachinhos faziam parte do texto...da cena...
Aos poucos foi ficando inevitável..chegava uma hora do dia que era impossível conter o desejo de te ver, te ouvir...criamos uma rotina nova...eu ia ao final do dia te ver...te confundir..voltar a respirar...mesmo que ofegante e assim me sinto até hoje...até hoje eu te busco.
Hoje eu estou particularmente corroída de saudades...tenho a sensação que a gente tá sempre se despedindo... esta madrugada eu acordei te buscando, fui à net, ao celular...sei lá, parece besteira mas eu preciso de um contato seu antes de dormir, ou antes de voltar a dormir...eu te preciso meu amor...isso acontece tbem com as crias, vai chegando uma hora que eu só volto pro eixo qdo falo com elas..não me lembro de ter dividido esse sentimento com niguém que eu não tivesse parido...deve ser por aí...acho que, como a gente foi inundadado por esse amor desmedido e não sabia, talvez ainda esteja aprendendo, lidar com ele, é como se a gente tivesse parindo um serzão, como diz vc, um ser que começou a existir a partir do amor e da escolha de vivê-lo.

Boa viagem meu amor

Eu
2009/4/27

acordei agora e tive um sonho tristíssimo...a minha mãe tinha morrido...o enterro era na casa vizinha a minha e tinha muita gente, muita mesmo, tipo um show de rock e eu ficava na nossa casa e não conseguia sair para ir ao local do enterro, não conseguia mesmo...aí eu sugeri ao moço do local que trocasse o corpo de lugar prá que o enterro fosse só prá nos e ele aceitou e veio com ela no colo e eu perguntei o que ele tava fazendo e ele disse que ia fazer um chá prá passar no corpo dela e aí eu peguei ela no colo prá ele fazer o chá, ela era pequenininha demais e tava enrolada num lençol, uma hora eu sentei no chão e ela começou a falar igual criança e eu disse olha ela tá viva, voltou, mas depois ela morreu de novo.

Eu tava mortalmente triste...acredito que seja o mesmo sentimento que terei qdo acontecer....



Eu te amo e queria que vc estivesse aqui...quero um bicho de pelucia prá eu abraçar qdo vc não estiver.



Neruda

05-2009
oi criança linda, hoje foi um dia bem emocionante...fomos a casa do neruda que fica aqui em Santiago. O neruda para o chile é uma grande referencia contra a ditadura...ele é amado e respeitado por todos...o que mais me emocionou foi saber que confesso que vivi, o qual foi publicado após a morte do neruda, teve como capa falsa (para esconder dos ditadores que era um livro do neruda), o livro do jorge amado, Teresa batista cansada de guerra... Esta casa contava com uma biblioteca de mais de 4000 livros, dos quais, após ter sido saqueada pelo governo só restaram 200, os outros foram queimados...Neruda era um homem de muitas mulheres e um amor eterno, Matilde, a qual está presente em esculturas e pinturas por toda a casa.
A tarde fomos ao museu de arte pré colombiana, bem bacana.
No mais é muita conversa..afinal são mais ou menos 10 anos sem tempo para que eu e a márcia sentemos em um café e abramos o coração...eu que tive tantas idas e vindas de amig os nos ultimos tempos sinto-em agradecida por essa oportunidade.
O tempo está frio, à noite queria estar grudada em vc sem soltar nem um pouquinho

Isla Negra

Oi amor, que grandes saudades sinto yo.
Hoje novamente tive um grande dia...fomos a Isla Negra, uma cidade belíssima aqui perto e eu vi o oceano pacífico pela primeira vez na minha vida...a cor da água é de um verde esmeralda rasgante...fiquei bastante emocionada...nesse lugar vimos árvores bem altas que rodeavam uma viela de terra batida, com um vento rasgando forte e um frio congelante...estou tendo contato com uma natureza que me é completamente nova.
Sobre o amigo, acho que ele quer ficar perto do amigo de sempre e que imagina que irá sofrer sem a sua presença constante por isso não consegue te deixar ir...o tempo deve mostrar prá ele que a distância geográfica pode até aproximar os amigos...as distâncias formam-se no coração e quando ele foi povoado pelo amor não são os km que desunem...sinto-me plenamente ligada a vc...todo o tempo.
Sinto muito, todo o tempo, a sua falta, queria ouvir os seus comentários ou o seu silê ncio quando desfruto de emoções tão novas...
Amo a sua ingenuidade política, ela te mantém sincero e vivo de esperança.
Talvez neve...
Te amo muito

Bjos na sua boca

31/05/2009
Vi e toquei a neve...como o que vem da natureza não adianta descrever...não ouso pensar que vc tremeria de susto com o trovão ou de medo do raio apenas lendo-me, caso vc não os conhecesse, assim é com a neve, de nada adianta eu dizer que é brilhantemente branca, que é macia, que é densa, que dá vontade de deitar, que é gelada, mas tem textura diferente do gelo, que é como um floco de gelo, que é linda, que os olhos doem com a brancura, que dá vontade de jogar nos outros, nada se compara a ver e pegar nela...às vezes o rio da aldeia não resolve, nem a viagem ao redor do quarto...
Ainda não li e não sei se conseguirei ler o seu texto, a net aqui é foda, opa, és fueda...

bjs

M.

Niver com vc out

On 2/7/08,

Acabei de chegar de uma noite linda, os meus amigos chegaram de viagem e fizeram uma festa prá mim. Sei lá como eles souberam do niver, nem eu sabia da festa, acho que foi coisa da maria helena e da adriene juntas...o loco é que els iam chegando, amigos amados que tão na minha tribo desde sempre, teve uma hora que eu olhei e tinham 22 pessoas, cada uma mais linda e com quem eu tenho uma, uma nada, várias estórias,em diferentes lugares, fisicos ou sentimentais...
Sei lá,a gente vai construindo umas coisas e deixando marcas nas pessoas e de vez em quando o meu olhar cruzava com o de quem eu tava meio sumida e a cintura dos olhos da gente, parafraseando o carpinejar, se encontrava e se encaixava e no mesmo momento relembrava o que tinha rolado junto.
;muito bom.
Tô feliz..

Ao mesmo tempo

11-2009
Claro que eu sei que enquanto eu estou aqui vivendo a minha vidinha milhões de coisas estão acontecendo ao mesmo tempo, várias vezes, pego-me olhando pela janela daqui do 16.andar e pensando sobre a vida de cada uma daquelas diminutas pessoas que vejo daqui...Imagino haver algo de não explicado, não vislumbrado e isso me intriga, deixa sempre curiosa. Esta semana estou sendo tocada por histórias que relatam acontecimentos simultâneos, porém, completamente dissonantes, só que dessa vez históricos, brasileiros e reais.

Estou indo ao festival de cinema de Brasília, que começou na terça-feira com o filme sobre a vida do Lula. Uma bela e improvável história que todos conhecemos, mas é filme, romanceado, onde os olhos do diretor, o Barreto, lulista de carteirinha, influenciam os acontecimentos e mudam os ventos conforme o que ele quer mostrar... Mas, tá valendo, a história do Lula é bela, intensa e deve ser contada mesmo.

No primeiro dia da mostra competitiva, vou lá ao Cine Brasília, na sessão das 23:30h, com a minha filha maior de idade como companhia, sem ter a mínima noção da programação e sou presenteada com dois belos curtas (Homem Bomba e Os amigos bizarros de Ricardinho) e com um longa, documentário, lindo, alegre, pra cima, cheio de samba, união alegria, que é o Filhos de João, Admirável mundo novo bahiano.

Na certeza de que precisamos resgatar a história recente do Brasil, fico sabendo da importância do João Gilberto e do Moraes Moreira pros novos bahianos, admiro-me como uma galera pôde morar durante seis anos numa chácara vivendo em completa harmonia, com samba, futebol, amor e backs muitos backs, sem disputas de grana, fama e estas coisas comuns a todos nós reles e capitalistas mortais... tudo isso rolava nos finais dos anos 60 e primeira metade dos anos 70.

Votei excelente pro filme, saí do cinema dizendo que o Tom Zé era o meu João Gilberto, recomendei o filme pra todo mundo, cantei pombo correio o dia todo, feliz pra caramba.

Ontem, louca por cinema que sou, volto ao festival, e, aquela coisa toda, muita gente, burburinho, duas curtas (Bailão, ótimo, retrata a vida de homens gays de idade mediana em SP, antes do coquetel da aids) e um outro, Água Viva que eu achei muito chato.

Na platéia, eu já tinha visto o Senador Roberto Freire, mas, de novo completamente desavisada, não sabia a programação mas fiquei feliz de saber que o longa era de Brasília.

E aí, começa Perdão Mister Fiel, que relata a morte de um operário pela ditatura brasileira. O documentário tem como fio condutor um ex-analista do Doi codi, absolutamente informado e de língua solta, que começa a falar nomes, fatos e datas, completamente assustadores sobre o que ocorria nos bastidores daqueles portais do inferno que eram as salas de tortura dos órgãos de repressão brasileiros. Há entrevistas do Lula, FHC, Sarney, Paulo Markun, Jarbas Passarinho, de uma mulher que escreveu para o livro Tortura Nunca Mais, voz em off do Geisel, entrevistas do Roberto Freire, de torturados, da família do operário morto, depoimentos de brasilianistas mostrando as nefastas asas da águia americana por sobre todo aquele circo de horrores que foi formado durante uma década ou mais na América latina... foi de morrer, de se envergonhar, pra nunca mais se esquecer. Tortura nunca mais....

Festival de Brasília do cinema brasileiro cada vez mais vivo, forte e atuante. Bacana!

Mas, voltando às dissonâncias, o mais louco é que as duas realidades, a do leve e alegre filme dos Novos Bahianos e a da horrenda tortura daqueles brasileiros, aconteceram simultaneamente nesse país enorme e controverso... Enquanto naquele sítio lindo se fumava maconha e fazia-se samba e amor até mais tarde, bem perto dali, no Rio de Janeiro mesmo, muitas pessoas estavam sendo torturadas e mortas.

Nossa, isso me bateu tão forte... tantos brasis, tantas (im)possibilidades, samba e tortura caminhando desarticuladamente, mas ao mesmo tempo, nesse mundão sem tamanho que é o Brasil.



Hoje tem mais festival... vamos ver o que pinta por lá.



Bjs



Mônica

Nem tão impune assim...

AGO-2003
Eu não estou conseguindo me concentrar no trabalho. Não tenho vontade de ligar porque sei que o telefone pode não demonstrar o que eu estou sentindo realmente.
Expresso-me melhor escrevendo, às vezes o tom da minha voz fica ríspido mesmo que meu coração esteja apenas suplicante....
Reconheço a rispidez e estou me tratando, peço que vc continue me dando feedbacks a respeito, pois sei que são sinceros e só querem o meu melhor.
Aquele papo doloroso de sábado à noite selou o que eu acredito ser um limiar para o fim ou o futuro do relacionamento, ninguém pode ser tão duro com ninguém, como fomos, impunemente...
Pra vc que gosta de tribos de índios americanos, tem uma chamada “taoteka” que ensina 4 fundamentos e justamente o primeiro deles é “seja infalível com as suas palavras”,. Não o fomos...sinto-me dolorida por saber que te magoei profundamente e sinto-me amedrontada com as suas reações.
Fico a toda hora perguntando-me quando e porque começamos a competir se, Tom, por favor é vital que vc acredite, não há nada que quero mais que o seu bem...
O meu coração é a minha cabeça estão a seu lado, constantemente preocupados com os seus planos e a possibilidade de realiza-los...
Sinto o mesmo com relação a vc,, que tem me ajudado como mingúem a tratar a minha saúde e a começar a sair do campo das idéias e começar a realizá-las.
Como te sinto próximo e realmente interessado quando peço, mesmo que sem dizer, a sua ajuda para tornar-me mais feliz respeitando os meus limites e meu perfil. Como vc faz isso bem, como é amoroso e sincero ao estimular-me....
Aí me pergunto, quando começamos a competir? Quando a vontade que eu me calasse ou que eu concordasse com a sua idéia ficou mais importante que a nossa harmonia? Porque ao invés de ouvi-la inteira eu lhe interrompo e já discordo?
Tento responder por mim, já que a sua resposta está em vc.
Acredito que me sinto acuada com tantas certezas e com tantos posicionamentos fechados, não passíveis de discussão e que em caso de discordância há o rebatimento não com uma discussão saudável onde há a possibilidade de mudança e sim uma aula.
Se estou diante do professor e tenho, sempre tive, problemas com autoridade, sinto-me imediata e naturalmente disposta a afrontá-lo.
Isso eu posso rever, vou tentar encarar a aula como uma ajuda...
Mas é que me diminui, eu estou falando com o meu namorado e não com o meu professor, acredito que haja um outro jeito de falar que não sei tangibilizar mas que não me faça sentir “aluna” na mais completa acepção da palavra....
Ao mesmo tempo, sinto que a discórdia está acentuando-se por uma insegurança que já trago dentro de mim desde sempre e que a postura, desculpe-me repetir a palavra, inflexível, reforça.
Quero, caso voltemos a conversar outras vezes, prestar atenção em mim e descobrir o momento exato onde a sua explanação passa a ser percebida por mim como aula e dizer-lhe, da forma menos ríspida que eu conseguir, para que vc também perceba...
Vou sinceramente tentar ouvi-lo mais amorosamente, mais atentamente e entendendo que aquela explanação faz parte da sua afinidade com a filosofia... a qual , longe das intempéries, faz-me admirá-lo e talvez seja um dos segredos que me fazem ter, há tanto tempo, escolhido vc.
Eu acredito que talvez seja necessário um pouco de silêncio já que as palavras não têm sido nossas amigas nos últimos dias.

Ao começar a escrever a minha idéia era ser menos densa, mas realmente estou magoada demais...não consigo esquecer completamente o medo, quase físico, que sinto quando vc grita comigo... pois tenho a certeza de que com isso não convivo. Não tenho estrutura por toda uma vivência (da qual sei que vc não tem culpa) de gritos e agressões...

E ao mesmo tempo sinto-me profundamente triste pela possibilidade de desistir de um romance tão belo, com tantas afinidades, com tanto respeito, com tanto carinho...

Agora acho que está tudo dito, pelo menos por mim...
O que vai permanecer é o que já construímos nesses 3 meses...

Estou com saudades talvez de algo no momento inacessível, da sua voz calma, do riso solto, da poesia (há quanto tempo não escreves?)....

Um beijo

Eu vou pro Parapan

08 DE MAIO DE 2007

EU sei que vc pode tar 1/2 chateado (ou inteiramente) comigo, sei que tenho vacilado muito, mas sei que vc é muito , muito, muito importante prá mim.

Fico morta de pensar que eu to te magoando..... com medo da gente não superar esses vacilos...a nossa amizade é tão nova...

que bom que vou viajar e conseguir te deixar em paz...tenho tanta vontade de ter sido diferente...de ter percebido quando eu não tava mais no controle e retomar o leme antes que as coisas chegassem tão longe.

vc falou preu não ficar paranóica e confusa e eu não conseguindo, só que além de paranóica e confusa eu to triste também.

sofro plenamente de uma bipartição de mim, ou seja, quero ter vcs dois comigo... e vou perder os dois...vc, eu nunca tive como... sei lá, namorado (e a loucura é que acho que nunca desejei isso, sempre foi e é algo meio platônico, acho que vc pôde perceber isso) , mas tantas vezes te tive como alguém inatingível( bob dilan), delicioso (lázaro ramos) , alguém com quem o pensamento, o desejo de estar junto eram compartilhados com tanta alegria...não me lembro disso ter acontecido comigo antes...a gente é tão diferente (embora vc tenha me dito que não acha), mas ao mesmo tempo tão complementar. Por isso, morro, fico sem comer, sem dormir, de pensar em perder tudo isso, por uma burrice, por um comportamento inadequado, que ódio...ai, que preço caro. Uma vez na casa do Diuk naquela noite memorável eu me lembro que comentamos isso, ou seja, que a amizade era mais importante que um caso que pudesse detoná-la, mas naquela época eu ainda tava no controle (controle sobre mim, claro)...já tinha um excesso de vontade tar junto, mas, pelo menos conscientemente, não passava disso.

Depois daquela noite inacabável(sexta), conversei muito com o outro, falei sobre eu não sentir mais a falta dele quando ele não estava comigo, de não me sentir só na ausência dele, disse que estava triste e que precisava me afastar, puta merda...de novo eu desedificando o que eu mesma construí, difícil ver diluindo tantos sonhos... morta, que droga...a gente (eu e ele) ta se falando, mas acho que até agora ele ainda não se refez do susto...como eu sempre te disse a nossa relação é ótima, estar junto com ele nunca foi nenhum sacrifício.

Acho que a solução mais viável é realmente me afastar dos dois (até pq vc pelo jeito já tomou a sua decisão de se afastar de mim), mas não tô conseguindo, tenho muita saudade de vc e tenho muito medo de não reconstruir nenhuma das duas relações. E me sinto completamente sozinha sem saber o que vc ta pensando. Aí fico com sentimento de me poupa do vexame... por não conseguir me desgrudar de vc.

Narciso, eu quero que o tempo volte e continuar sendo para sempre uma amiga sua, sem essa besteira de caso, namoro, quero continuar rindo dos seus amores e compartilhar contigo os meus. Quero conversar sobre epicuro e saber o que vc pensa de arte naif e ver contigo paris texas ou perdas e danos...sei lá, viajar junto, fazer tanta coisa junto. Cara, se tem uma coisa que é verdade é que eu não me canso de vc. Que coisa doida...gosto de estar com vc mais do que qualquer pessoa no mundo, isso já me aconteceu antes com a minha amiga maria helena, que foi durante 15 anos o meu amor maior, fora as crias, podia passar 24 horas por segundo com ela (parafraseando o nicholas) que eu não me cansava... sei que esse exagero é meu, e sei também, embora às vezes, chatamente, cobre, esperar o seu tempo de saudade e vontade me ver e quando vc me chama venho parecendo um bichinho que recebeu afago do dono e morro de alegria a seu lado.

Bom, sei também que novamente tô sendo inadequada de te usar como terapeuta, que eu deveria ter vergonha de me expor tanto, mas não sinto nada disso, com vc não sinto que eu estou me rebaixando e sei que este meu comportamento lambedor reforça a sua postura altiva (prá não dizer convencida) e sei também que ela é bem babaca, mas tem um outro lado, que me olha com os olhos verdes contemplativos,

que sei que vai além dessa casca de meninobonitoquetodomundoquerequenãotánemaípraninguem e que acredito que é o que vale...

eu queria muito te ouvir, me diz, vc é o centrado dessa estória, o que eu posso fazer prá reverter ou revisitar esta loucura sem, contudo te perder?juro que ouço e tento me adequar ao que for necessário, de forma se possível tranqüila.

Queria que vc falasse o que ta sentindo, fiquei completamente surpresa com aquela proposta de eu largar o namoro...não tenho a mínima noção do que vc sente, só te lembro me dizendo que não é apaixonado por mim...o que de certa forma me acalma...tipo um ufa, ainda bem que eu não to mexendo tanto assim com o cara ... tudo bem então, não é apaixonado mas sente o que? Queria muito que vc me falasse, me dissesse: eu sinto isso e eu gostaria que fosse assim...se vc tá jogando comigo, vc já ganhou, já entrou em campo com um placar inatingível a seu favor.. eu tô sofrendo muito por toda a babaquice que eu fiz...que absurdo te convidar para dormir em casa enquanto havia uma crônica de tesão anunciado e mal resolvido entre a gente. Mereço todo o esporro do sonho...qui merda.