AGO-2003
Eu não estou conseguindo me concentrar no trabalho. Não tenho vontade de ligar porque sei que o telefone pode não demonstrar o que eu estou sentindo realmente.
Expresso-me melhor escrevendo, às vezes o tom da minha voz fica ríspido mesmo que meu coração esteja apenas suplicante....
Reconheço a rispidez e estou me tratando, peço que vc continue me dando feedbacks a respeito, pois sei que são sinceros e só querem o meu melhor.
Aquele papo doloroso de sábado à noite selou o que eu acredito ser um limiar para o fim ou o futuro do relacionamento, ninguém pode ser tão duro com ninguém, como fomos, impunemente...
Pra vc que gosta de tribos de índios americanos, tem uma chamada “taoteka” que ensina 4 fundamentos e justamente o primeiro deles é “seja infalível com as suas palavras”,. Não o fomos...sinto-me dolorida por saber que te magoei profundamente e sinto-me amedrontada com as suas reações.
Fico a toda hora perguntando-me quando e porque começamos a competir se, Tom, por favor é vital que vc acredite, não há nada que quero mais que o seu bem...
O meu coração é a minha cabeça estão a seu lado, constantemente preocupados com os seus planos e a possibilidade de realiza-los...
Sinto o mesmo com relação a vc,, que tem me ajudado como mingúem a tratar a minha saúde e a começar a sair do campo das idéias e começar a realizá-las.
Como te sinto próximo e realmente interessado quando peço, mesmo que sem dizer, a sua ajuda para tornar-me mais feliz respeitando os meus limites e meu perfil. Como vc faz isso bem, como é amoroso e sincero ao estimular-me....
Aí me pergunto, quando começamos a competir? Quando a vontade que eu me calasse ou que eu concordasse com a sua idéia ficou mais importante que a nossa harmonia? Porque ao invés de ouvi-la inteira eu lhe interrompo e já discordo?
Tento responder por mim, já que a sua resposta está em vc.
Acredito que me sinto acuada com tantas certezas e com tantos posicionamentos fechados, não passíveis de discussão e que em caso de discordância há o rebatimento não com uma discussão saudável onde há a possibilidade de mudança e sim uma aula.
Se estou diante do professor e tenho, sempre tive, problemas com autoridade, sinto-me imediata e naturalmente disposta a afrontá-lo.
Isso eu posso rever, vou tentar encarar a aula como uma ajuda...
Mas é que me diminui, eu estou falando com o meu namorado e não com o meu professor, acredito que haja um outro jeito de falar que não sei tangibilizar mas que não me faça sentir “aluna” na mais completa acepção da palavra....
Ao mesmo tempo, sinto que a discórdia está acentuando-se por uma insegurança que já trago dentro de mim desde sempre e que a postura, desculpe-me repetir a palavra, inflexível, reforça.
Quero, caso voltemos a conversar outras vezes, prestar atenção em mim e descobrir o momento exato onde a sua explanação passa a ser percebida por mim como aula e dizer-lhe, da forma menos ríspida que eu conseguir, para que vc também perceba...
Vou sinceramente tentar ouvi-lo mais amorosamente, mais atentamente e entendendo que aquela explanação faz parte da sua afinidade com a filosofia... a qual , longe das intempéries, faz-me admirá-lo e talvez seja um dos segredos que me fazem ter, há tanto tempo, escolhido vc.
Eu acredito que talvez seja necessário um pouco de silêncio já que as palavras não têm sido nossas amigas nos últimos dias.
Ao começar a escrever a minha idéia era ser menos densa, mas realmente estou magoada demais...não consigo esquecer completamente o medo, quase físico, que sinto quando vc grita comigo... pois tenho a certeza de que com isso não convivo. Não tenho estrutura por toda uma vivência (da qual sei que vc não tem culpa) de gritos e agressões...
E ao mesmo tempo sinto-me profundamente triste pela possibilidade de desistir de um romance tão belo, com tantas afinidades, com tanto respeito, com tanto carinho...
Agora acho que está tudo dito, pelo menos por mim...
O que vai permanecer é o que já construímos nesses 3 meses...
Estou com saudades talvez de algo no momento inacessível, da sua voz calma, do riso solto, da poesia (há quanto tempo não escreves?)....
Um beijo
Mô
segunda-feira, 22 de março de 2010
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